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Mato Grosso do Sul (por Tácito Loureiro)

Cântico do Chão Iniciático (Mato Grosso do Sul) Não é só terra onde o gado passa, É Arca onde o Tempo se desenha — Fóssil vivo de sítios ancestrais, Onde os Terena guardam sua lenga-lenga, E o Guató entrelaça histórias no barro da memória. Sob o manto verde do Pantanal, O Reflexo dança – é […]

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Redação
28/06/2025 às 11h14
Mato Grosso do Sul (por Tácito Loureiro)

Cântico do Chão Iniciático (Mato Grosso do Sul)

Não é só terra onde o gado passa,

É Arca onde o Tempo se desenha —

Fóssil vivo de sítios ancestrais,

Onde os Terena guardam sua lenga-lenga,

E o Guató entrelaça histórias no barro da memória.

Sob o manto verde do Pantanal,

O Reflexo dança – é a Alma plena:

Água que não corre, mas medita,

Guardando estrelas no seu contracasto,

Como o silêncio que precede o canto do Cururu.

Primeiro Véu: O Espelho das Águas

(Ventre do Mundo, berço úmido e vasto)

A garça é um hieróglifo ao vento,

A piracema, um rito de ascensão —

Quem vê o peixe saltar na corrente,

Vê seu próprio espírito em expansão,

Um chamado à resistência das raízes,

Que, como o rio subterrâneo,

Navega sem pressa, mas jamais desiste.

Segundo Véu: A Dança das Raízes

(Na sombra fresca da Serra de Bodoquena)

O cedro fala em tom Terena antigo,

Eco de flecha, tambor, voz serena.

No barro da olaria, um gesto amigo

Molda o Vaso que o Sagrado habita:

Cada grafismo Kadweu é um perigo

À mente estreita que não se agiganta!

Ah, o Cururu à luz da fogueira,

Não é só dança: é roda do Invisível —

Os pés no chão batem a carreira

Onde o Humano com o Eterno é possível,

Como o encontro de ritmos no Festival América do Sul.

Terceiro Véu: O Fogo que Decifra

(No alvorecer do quebra-torto rude)

A brasa crepita segredos no ar,

O chimarrão é elixir de quietude.

O boiadeiro, num silêncio a arder,

Não conduzia gado: guiava sombras

Por estradas de pó, a transmutar

A matéria bruta em luz das alfombras —

(Que são os campos de girassol ao sol,

Ouro profano que vira Ouro interno

Pra quem desata o nó, rompe o farol

Do olhar comum, superficial e terno.)

Desvela-te, Peregrino!

O Pantanal não é só espelho: é Mente.

Bodoquena não é rocha: é Altar.

O Rio Paraguai, serpente lenta,

É a Veia por onde o Mistério vai fluir.

A onça pintada? Um mapa!

(Suas manchas são constelações no chão

A guiar quem souber perscrutar,

Como os Terena lêem a terra,

E os Kadweu traçam grafismos na alma.)

A Chave Final:

Procura não com os olhos, mas com o sopro.

O segredo do Mato Grosso do Sul

Não está fora, no horizonte de ouro,

Mas no Pantanal que há em ti, oculto —

Onde a onça e o jaguar se abraçam,

Onde o chimarrão aquece a alma,

E o canto de Canto da Terra ecoa:

“É o meu Mato Grosso do Sul,

Terra que é ventre e desenho,

Cântico e cifra,

Rio que corre no céu…

E no teu centro suspira.”

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