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Educação superior na África: uma história esquecida e uma oportunidade de diálogo

A origem da educação superior no mundo é um tema controverso e pouco conhecido. Muitas vezes, se assume que as universidades surgiram na Europa medieval, mas há evidências de que outras formas de ensino superior existiram antes em outras regiões, especialmente na África. Segundo o professor Youssef Cassis, da Universidade Federal do Rio Grande do […]

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Redação
04/01/2024 às 11h59
Educação superior na África: uma história esquecida e uma oportunidade de diálogo

A origem da educação superior no mundo

é um tema controverso e pouco conhecido. Muitas vezes, se assume que as

universidades surgiram na Europa medieval, mas há evidências de que outras

formas de ensino superior existiram antes em outras regiões, especialmente na

África.

Segundo o professor Youssef Cassis, da

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o continente africano foi

precursor da ideia de educação superior, mas não recebe o devido reconhecimento

por sua contribuição histórica e cultural. Em uma palestra realizada na UFRGS,

ele apresentou exemplos de instituições de ensino superior que floresceram na

África desde a antiguidade até os tempos modernos.

Entre essas instituições, destacam-se a

Escola de Sagradas Escrituras da Etiópia, fundada no século VI, e a

Universidade de Al-Azhar do Egito, fundada no século X. Essas escolas se

tornaram centros de excelência acadêmica e atraíram estudantes de diversas

partes do mundo. Além disso, houve outras experiências de educação superior na

África, como as universidades islâmicas do Mali, as escolas monásticas da

Núbia, as academias de Timbuktu e as escolas tradicionais de diversas etnias.

O professor Cassis explicou que a

educação superior na África tinha características próprias, como a valorização

da oralidade, da interdisciplinaridade, da diversidade cultural e da relação

com a comunidade. Ele também ressaltou que a educação superior na África foi

afetada pelo colonialismo, que impôs um modelo europeu de ensino e desvalorizou

as formas locais de conhecimento.

No entanto, ele afirmou que há um

movimento de resgate e valorização da educação superior africana, que busca

reconhecer sua importância histórica e sua relevância atual. Ele defendeu que é

preciso ampliar o diálogo e a cooperação entre as instituições de ensino

superior da África e do resto do mundo, para promover uma educação mais

inclusiva, diversa e democrática.

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