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Coração Pantaneiro do Mundo (por Tácito Loureiro)

Coração Pantaneiro do Mundo Nasce o dia entre guavirais e cantigas, a névoa respira no dorso do Rio Miranda, onde o ar sabe a lenda que não se investiga e o tempo escuta o que a terra ainda manda. O sol abre ferida vermelha no brejo. O homem — chapéu de palha, reza muda — […]

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Redação
05/11/2025 às 23h56
Coração Pantaneiro do Mundo (por Tácito Loureiro)

Coração Pantaneiro do Mundo

Nasce o dia entre guavirais e cantigas,

a névoa respira no dorso do Rio Miranda,

onde o ar sabe a lenda que não se investiga

e o tempo escuta o que a terra ainda manda.

O sol abre ferida vermelha no brejo.

O homem — chapéu de palha, reza muda —

sabe que o campo não perdoa desejo,

mas aceita quem chega com a mão nua.

Mato Grosso do Sul: não palavra, pulso.

Guarani, espanhol, fronteira — três línguas

bebendo da mesma canoa. O convulso

corpo que a História acorda em línguas.

Trem do Pantanal: sanfona que não chora,

testemunha. Berrante anunciando

não o boi — o homem que se enamora

quando junho vira fogo e quando.

Paraguai: tereré circula.

Não a cuia — o silêncio aceito

entre goles. Amizade que calcula

nos linderos o quanto cabe no estreito.

Feira de Dourados, chipa pastel mandioca:

não alimenta a boca.

Alimenta.

Corumbá tambor. Campo Grande viola sobá.

Amambai reza tentando segurar

o que o asfalto —

Mas o povo não resiste: vive.

Recolhe pólen, entorta aço,

canta o chamamé porque o sagrado

nasce em cada passo, não se persegue.

Há quem pesque versos no Taquari.

A rede vem com peixe e palavra.

Há curandeiras: não veem futuro ali,

enxergam agora no voo da arara.

O sul-mato-grossense pressente:

viver não se atravessa.

Se está.

Crepúsculo no Pantanal:

silêncio cheira a capim

e a

E o poeta escuta o tereré

passando de mão

em mão

escreve porque a cultura

não é ponte

é a sede

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