China fala em produzir mais e ameaça a soja brasileira
THE NEWS Como se o agro brasileiro já não tivesse boletos suficientes na mesa, apareceu mais um susto pra dividir espaço com juros altos, margem apertada, fertilizante caro, barreiras comerciais e clima maluco. A China quer depender menos de comida importada e aumentar a produção nacional. No 15º Plano Quinquenal, que vale de 2026 a […]

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Como se o agro brasileiro já não tivesse boletos suficientes na mesa, apareceu mais um susto pra dividir espaço com juros altos, margem apertada, fertilizante caro, barreiras comerciais e clima maluco. A China quer depender menos de comida importada e aumentar a produção nacional.
No 15º Plano Quinquenal, que vale de 2026 a 2030, Pequim colocou a segurança alimentar no centro da estratégia e sinalizou que vai aumentar a produção própria de grãos, proteína animal e culturas pra ração, incluindo soja. E quando nosso maior cliente começa a falar em fazer mais em casa, o setor já fica todo em alerta.
Desde 2000, as exportações brasileiras pra China cresceram mais de 20% ao ano e hoje movimentam perto de US$ 50 bilhões por ano. O Brasil responde por cerca de 60% de toda a soja e 40% de toda a carne bovina que os chineses compram de fora. Por isso, um relatório da consultoria Systemiq fez o setor ficar preocupado ao projetar que a China pode reduzir em 25% as importações de soja até 2030, o que dá mais ou menos 23,5 milhões de toneladas.
Mas especialistas acham que esse freio chinês talvez não seja um cavalo de pau. Marcos Jank, do Insper Agro Global, lembra que o plano chinês fala em aumentar a produção de grãos em 25 milhões de toneladas, chegando a 725 milhões de toneladas, apostando em tecnologia e sementes transgênicas.
Mas a China tem gargalos que não deixam esse crescimento ser exponencial, como o da terra arável limitada, poucas fontes de água e uma estrutura agrícola com cerca de 180 milhões de pequenos produtores, o que não é exatamente um ambiente plug and play pra virar potência autossuficiente da noite pro dia.
Hsia Hua Sheng, do Bank of China Brasil e da FGV, também vê essa projeção de queda de 25% como um exagero, quase um surto. Segundo ele, a segurança alimentar tá no discurso chinês faz mais de 20 anos, não virou trend agora. A China deve produzir mais, sim, mas também vai continuar importando alimentos. Na leitura dele, se houver alguma redução nas compras, ela tende a ser bem mais gradual, sem virar as costas pro Brasil de uma hora pra outra.
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