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Bolsonarismo: fenômeno psicossocial em desconstrução

Dr. Reinaldo de Mattos Corrêa* O bolsonarismo é um fenômeno político e social que desperta interesse e preocupação de diversos especialistas. Trata-se da ideologia de idolatria ao Jair Bolsonaro e da rejeição à oposição dele. É um projeto político perigoso à paz social, e funciona com mecanismos de manipulação psicológica e desinformação. Quais são os […]

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Redação
15/02/2024 às 13h14
Bolsonarismo: fenômeno psicossocial em desconstrução

Dr. Reinaldo de Mattos Corrêa*

O

bolsonarismo é um fenômeno político e social que desperta interesse e

preocupação de diversos especialistas. Trata-se da ideologia de idolatria ao

Jair Bolsonaro e da rejeição à oposição dele. É um projeto político perigoso à

paz social, e funciona com mecanismos de manipulação psicológica e

desinformação. Quais são os motivos da identificação coletiva com o

bolsonarismo? Como podemos refutar, desconstruir e combater essa influência

nociva à sociedade?

Para

responder a essas perguntas, analisamos fatores psicológicos e sociais do

bolsonarismo, e mostramos como são falsos, ilusórios, prejudiciais. Vejamos

alguns e as possíveis refutações:

a)

Fatores Psicológicos:

Segurança e proteção: a promessa de Bolsonaro de restaurar a ordem e segurança

pública encontra ressonância no contexto de violência e insegurança. A figura

do líder forte surge como o “salvador da pátria” que trará paz e

proteção à sociedade. Refutação: essa promessa é falácia. Bolsonaro não tem um

plano efetivo para combater a violência e a criminalidade, e sim quer

aumentá-las. Exemplo: tem propostas de flexibilizar o porte de armas, de

isentar policiais de responsabilidade por mortes e de incentivar a violência

contra minorias. Além disso,

Bolsonaro não é um líder forte, mas sim um líder autoritário, que desrespeita

as mulheres, as instituições democráticas, as leis, os direitos humanos. Ele

não traz paz e proteção, mas sim medo e opressão à população.

Identidade e pertencimento: o bolsonarismo oferece um senso de identidade e

pertencimento a um grupo coeso, combate a sensação de isolamento e alienação. A

identificação com o líder e os valores que propaga produz o sentimento de

comunidade e pertencimento. Refutação: essa identidade e pertencimento são

falsos, sustentam-se na exclusão e na intolerância. O bolsonarismo não respeita

a diversidade e a pluralidade, e sim as nega e as ataca. A identificação com o

líder e os valores que ele supostamente dissemina não é uma escolha livre e

consciente, mas sim a aceitação da imposição e da submissão. Esse falso

sentimento de comunidade e pertencimento não é a expressão de solidariedade e

cooperação, mas sim de fanatismo e hostilidade.

Redução da ansiedade: a simplificação da realidade em “nós” versus

“eles” e a demonização de inimigos externos diminuem a complexidade

do mundo e proporcionam a falsa sensação de controle e segurança. O discurso

simplista e maniqueísta de Bolsonaro oferece respostas fáceis para problemas

complexos, reduz a ansiedade e a incerteza. Refutação: essa redução da

ansiedade é ilusória, baseada na negação e na distorção da realidade. Bolsonaro

não oferece soluções reais para os problemas do Brasil, e sim os ignora ou os

agrava. O discurso simplista e maniqueísta não esclarece, mas sim confunde e

engana. A falsa sensação de controle e segurança não é a fonte de tranquilidade

e confiança, mas sim de alienação e vulnerabilidade.

Autoafirmação e status: a defesa de valores tradicionais hegemônicos (Deus,

pátria, família, propriedade privada) e a postura autoritária podem ser vistas

como formas de autoafirmação e busca por status social. A identificação com o

bolsonarismo pode ser interpretada como a tentativa de se sentir parte de um

grupo poderoso e vencedor. Refutação: essa autoafirmação e status são

prejudiciais, decorrem da agressão e da dominação. O bolsonarismo não defende

os valores tradicionais (suja-os ao introduzi-los no meio político corrupto),

mas sim os valores retrógrados e opressivos (violência, intolerância,

destrutividade, negacionismo). A postura autoritária não é a expressão de força

e coragem, mas sim de fraqueza e covardia. A identificação com o bolsonarismo

não é a forma de se sentir parte de um grupo poderoso e vencedor, mas sim de se

tornar cúmplice de um grupo corrupto e criminoso.

– Patriotismo e segurança: Bolsonaro aparentemente defende o patriotismo e a segurança da população. Refutação: sob a máscara de patriotismo e segurança, o discurso de Bolsonaro transforma-se

no palco de emoções negativas. O medo, a raiva e o ódio são cuidadosamente

orquestrados. Na realidade, Bolsonaro usa as emoções negativas para manipular as

massas. A nostalgia por um passado militarizado é misturada com a demonização

de minorias, forma um clima de paranoia e divisão. É crucial desvendar as

artimanhas desse discurso. O medo do “outro” é infundado, uma farsa

criada para desviar a atenção dos reais problemas do País. A nostalgia por um

passado autoritário ignora os horrores da ditadura civil-militar (1964-1985). A

raiva contra minorias é apenas o bode expiatório à incompetência e à corrupção

do governo bolsonarista.

Bolsonaro,

o líder carismático, figura central do neofascismo brasileiro, torna-se o

objeto de desejo sublimado para os seguidores. Por meio da retórica inflamada e

autoritária, ele canaliza a frustração sexual reprimida em um sentimento de

revolta contra minorias e grupos considerados “inimigos”. Ao mesmo

tempo, a figura do líder também representa a ordem e a segurança, proporciona

uma ilusão de controle e proteção contra o caos e a incerteza. Essa dualidade

entre revolta e passividade cria um estado psicológico de submissão e

dependência do líder, torna os seguidores mais propensos a obedecer e seguir os

comandos.

b)

Fatores Sociais:

Desigualdade social e frustração: a profunda desigualdade social no Brasil gera

frustração e ressentimento em muitos cidadãos. O discurso de Bolsonaro contra a

“elite” e a promessa de mudança encontram eco nesse contexto,

canalizam a frustração para um alvo específico. Refutação: esse discurso e essa

promessa são uma hipocrisia. Porque Bolsonaro faz parte da elite que ele

critica, e não tem interesse em mudar a situação. Bolsonaro é um político

profissional, perfil bélico que se beneficiou de privilégios e vantagens

durante a carreira. Ele não representa os interesses do povo, mas sim dos

grupos econômicos e políticos que o apoiam. Ele não quer mudar a desigualdade

social, mas sim mantê-la e inclusive aumentá-la.

Desconfiança nas instituições: a baixa confiança nas instituições tradicionais,

como Poder Judiciário, partidos políticos e mídia, leva muitos a buscarem

alternativas fora do sistema. O bolsonarismo oferece-se como uma

“anti-política”, promete romper com o establishment e trazer mudanças

radicais. Refutação: essa apresentação é uma farsa. Bolsonaro não é a

alternativa fora do sistema, mas sim a falsa ameaça ao sistema, por ser

extremamente conservador. Bolsonaro não é um “anti-político”, mas sim

o político oportunista, aproveita-se da desconfiança nas instituições para

atacá-las e enfraquecê-las. Ele não quer romper com o establishment, mas sim

controlá-lo e subvertê-lo em benefício próprio. Ele não quer trazer mudanças

radicais, mas sim retrocessos históricos.

Medo do “outro”: o discurso anti-comunista, anti-LGBTQIA+ e xenófobo

de Bolsonaro explora o preconceito e o medo em relação ao “diferente”

e ao “estrangeiro”. A construção do inimigo externo unifica o grupo e

desvia a atenção de problemas reais. Refutação: esse discurso é um absurdo,

injusto, mentiroso. Bolsonaro não tem nenhum embasamento teórico e factual

razoável que o sustente. Bolsonaro demonstra não saber o que é o Comunismo, e

usa esse termo inapropriadamente como um espantalho para assustar e manipular

as pessoas. Bolsonaro não respeita a diversidade sexual e de gênero, e usa esse

tema como uma “cortina de fumaça” para esconder a própria

incompetência e corrupção. Bolsonaro não entende de relações internacionais, e

usa esse assunto como uma arma para provocar e ofender outros países. Ele não

tem nenhum inimigo externo real, mas sim inventa um para criar o clima de

guerra e medo.

Sendo

assim, o bolsonarismo é um fenômeno psicossocial doentio,  hoje cada vez mais decadente, cheio de

falsidades, ilusões, prejuízos. Ao analisarmos e refutarmos os fatores

psicológicos e sociais dessa ideologia anticristã, abrimos o caminho necessário

para libertar os fanáticos dessa má influência e construir a vida nacional mais

racional e democrática. É hora de romper com a manipulação de Bolsonaro e

construir o futuro baseado na verdade, na justiça e na compaixão. O Brasil

precisa de um verdadeiro líder amoroso, pacífico, justo, que una o povo, não

que o divida. Líder que inspire a esperança, não o medo. Líder que lute por

todos, não apenas por alguns. Líder consciente e que não permita o genocídio na

época da pandemia.

*

É Produtor Rural em Mato Grosso do Sul.

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